terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Euclides da Cunha


Um acervo na net muito completo. Aqui.

Vou-me embora pra Pasárgada, poema de Manuel Bandeira


Vou-me Embora pra Pasárgada, imortal poema de Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive



E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


in Bandeira a Vida Inteira, Rio de Janeiro, Alumbramento, 1986, p. 90

Citações do Brasil de hoje: a vida do trabalho


"O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta.
É contratado o sujeito com mais marketing pessoal" - afirma Roberto Shinyashiki


- uma entrevista citada longamente pelo blog (muito interessante) da minha colega Prof. Andréa Wollmann, Cátedra Livre de Arte e Direito Clarisse Lispector.

Defesa bem humorada da Língua Portuguesa?



É "imperdível" este Samba.... de Zeca Baleiro, aqui cantado por Zeca Pagodinho.


(...)
Venha provar meu brunch
Saiba que eu tenho approach
Na hora do rush
Eu ando de ferryboat

Eu tenho savoir-faire
Meu temperamento é light
Minha casa é hi-tech
Toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
Hoje eu me amarro no Slash
Minha vida agora é cool
Meu passado é que foi trash

Fica ligada no link
Que eu vou confessar, my love
Depois do décimo drink
Só um bom e velho engov
Eu tirei meu green card
E fui pra Miami Beach
Posso não ser um pop star
Mas já sou um nouveau riche

Eu tenho sex appeal
Saca só meu background
Veloz como Damon Hill
Tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
Quero jogar no dream team
De dia um macho man
E de noite drag queen

Lévi-Strauss no Brasil


Vídeo do recentemente falecido antropólogo (e não só) Claude Lévi-Strauss, evocando um pouco a sua aventura brasileira. Ele, para quem o Brasil mudou a vida e a carreira: "A minha carreira foi decidida num domingo de outono de 1934, às 9 horas da manhã, a partir de um telefonema." - afirmou, aludindo ao convite para leccionar na USP.

Sábado em Copacabana

Não é sábado, mas, em Portugal, para alguns hoje é domingo (é feriado: Restauração da Independência)... então, lembrei-me deste vídeo.

Análise Da Obra 'Raízes Do Brasil', de Sérgio Buarque De Holanda


"Raízes do Brasil, obra símbolo de uma época, foi publicada em 1936 sob a autoria de Sérgio Buarque de Holanda, quando ainda não era o “pai do Chico”. O livro, curto, claro, discreto e objetivo, divide-se em sete capítulos que, juntos, teorizam sobre nossa formação histórica e social." - assim começa a sua apreciação André Vinicius Mossate Jobim. Ver tudo aqui.